(ainda) 14 JUL
Depois de deixarmos o comité da AIESEC, fomos até ao nosso primeiro jantar de trainees (=estagiários). Comemos pizza, que nos soube que nem... hum... pizza! Tínhamos ficado de voltar ao comité pelas (note-se que "pelas x horas" na India significa esperar entre 15 min a 5h depois da hora combinada) 23h30, para irmos com um AIESECer Indiano, o Manich, para irmos buscar a Filipa à estação de comboios. Contudo, quando nos perguntaram se queríamos ir a uma festa com os restantes trainees, e respondemos que não podíamos ir por causa da chegada da Filipa, parecia que ninguém sabia quem era o Manich. Escusado será dizer que nas nossas cabeças passaram logo bastantes filmes. Mas afinal parece que ele só não era conhecido pelo LCP (Local Committee President)... e por mais de metade da AIESEC in Jaipur.
Seja como for, lá fomos até À estação, não com o Manich, mas com o Ronak, um dos responsáveis pelo nosso projecto. Chegados à estação, eu entrei com ele, e os restantes portugueses ficaram cá fora, dado que para se entrar na estação e para apenas permanecer na plataforma é preciso pagar.
Depois de voltas e voltas e voltas e voltas, nada de Filipa. Pois... a Filipa já estava junto dos portugueses, e andavamos eu e o Ronak feito estúpidos na estação de comboios à procura dela.
Mas nada acontece por acaso, e a verdade é que ter entrado naquela estação de comboios depois da meia noite embrenhou-me um pouco mais profundamente na Incredible India. Na estação de comboios dormem centenas de pessoas, desde crianças a idosos, no chão e em grupo. Numa manta pequena vi cerca de 6 crianças deitadas a dormir, cujas idades deviam ir desde alguns meses a 5 anos. Vi também um jovem a andar como que em quatro patas, com a coluna deformada.
Bem, lá voltámos ao hotel, agora já com a Filipa, onde foi bastante desafiante fazê-la entrar e dormir no nosso quarto sem pagarmos mais. Mas lá conseguimos, e dormimos quem nem bebés, descansando para o que o próximo dia nos reservaria.
15 JUL
Pois é... depois de uma noite num hotel e pequeno-almoço tomado na cama sem se pagar nada extra, quase nos fez esquecer que estávamos na India. Mas não foi para isso que aqui viemos, e queríamos era sair, andar, observar, e conhecer.
Fomos até à nossa casa inicial, para deixarmos as malas da Filipa, e partimos à procura de apartamentos para alugar.
Tal procura foi em vão. Acabámos por voltar ao comité por alguns minutos, almoçámos, e lá voltámos à Trainee House. Lá, acabámos por chegar a um concenso com os AIESECers: ficávamos nessa casa, mas tinham que nos deixar limpar os quartos como queríamos, e teríamos que aprender a tomar banho com um balde (acabou por não ser necessário, dado que havia um pequeno chuveiro com o qual é possível lavar a cabeça e tudo - de joelhos).
Nisto surgiu o Shashank, que brevemente se tornaria no nosso melhor amigo. Acompanhou-nos ao supermercado, onde compramos baldes e esfregonas, panelas e vassouras, massas e bolachas, detergentes e panos... enfim, tudo o que fosse necessário para limparmos (e bem!) o nosso quarto, e fazer dele o nosso pedaço de casa durante os próximos tempos. O Shanshank estava extremamente divertido, mas sempre muito prestável e colaborador.
Jantámos pelo centro comercial, onde provámos um novo fruto - Chicco - e bebemos um batido feito com esse mesmo fruto. Voltámos para casa, e durante longas e frutuitas horas conversámos com o Ronak e o Shashank, onde ficámos a conhecer melhor as tradições, os hábitos, as religióes daqui. Perto das 3h fomos dormir.
16 JUN
Neste dia revelámo-nos, e contactámos com a dona de casa dentro de nós. Lavámos, esfregámos, desinfectámos. Mas no fim, o nosso quarto cheirava a pinho, e já nos sentíamos mais em casa. Desfizémos as malas e mochilas, tomámos duches rápidos, e fomos para uma conferência que teria lugar numa Business School, cujo tema era um outro projecto no qual o André está - Project Creations. Entre videos da AIESEC in Jaipur e descrição do projecto, tiveram lugar as apresentações culturais acerca dos países de origem dos estagiários deste projecto. Claro que quando foi a vez de Portugal, fizémos muito barulho e mostrámo-nos muito entusiasmados.
A verdade é que os indianos adoram-nos, porque interagimos, brincamos, rimos, e dançamos com eles. Durante metade da conferência o LCP da AIESEC Jaipur usou orgulhosamente um cachecol português ao pescoço. A conferência terminou da melhor maneira: com danças e role calls da AIESEC!
Saímos a correr da conferência, pois o Shanshank estava à nossa espera, na nossa casa, para nos entregar frigideiras que ele nos ia emprestar (e nós estávamos na outra ponta da cidade!).
Agora é aquela parte em que vos explico como funciona uma viagem de rickshaw: antes de entrarmos, dizemos para onde vamor, regateamos e acordamos o preço, e passados alguns minutos paramos para que o condutor possa perguntar a um qualquer comerciante onde raio fica o sítio para onde queremos ir! Pomo-nos a caminho outra vez, e com sorte essa será a única paragem intermédia.
Cozinhámos massa para o jantar, partilhámos com o Shanshank e com os 3 recém-chegados Tunisinos. Mais uma vez ficámos na nossa "sala" comum (digo sala, porque é mais um telheiro com sofás e cadeiras) a conversar animadamente.
Ponto importante do dia: descobri um família de gatos - mãe, e 3 filhotes - e ando a ver se ganho a confiança da mamã. Foi-me dito que são gatos do deserto, e que estão prestes a desaparecer. Esta foi a primeira noite em que tivémos um "inquilino" no nosso quarto. O Shashank ficou a dormir connosco e a conversa continuou noite fora, pois ele é um ávido ouvinte, e um falador entusiasta, muito culto e curioso.
17 JUL
Acordámos a um hora bastante imprópria (quase meio dia), tomámos duche, fizémos o almoço, e fomos até ao comité da AIESEC para mandar e-mails aos papás e para nos encontrármos com uma data de estagiários que viriam connosco visitar a Pink City, a parte velha de Jaipur.
E assim foi. Lá fomos nós até ao Kings' Tomb - O cemitério dos Reis. Aqui eram cremados os reis de Jaipur, sendo as rainhas cremadas noutro local.
Depois subimos, e subimos, e subimos, até a um templo de Ganesh. O respeito e a dimensão espiritual podia ser respirada. Tivémos sorte, e conseguimos assistir a um ritual de fim de dia, no qual recebemos a benção do Lord Ganesh.
Voltámos a casa, para comer muito depressa, trocar de roupa, e voltar a sair.
Sabem... a vida de estagiário é muito difícil. É tão difícil que nos convidam para Pool Parties (=festas na piscina). E como temos que representar o nosso país e tal, lá fizémos o sacrifício de ir. E como não podia deixar de ser, mal chegámos, convencemos os Tunisinos, e enfiámo-nos logo na piscina (que antes estava vazia). A verdade é que estar em bikini na India é um assunto de cuidado. A maior parte dos indianos nunca viu uma branca de bikini, e por isso somos alvos de muitos olhares. Mas não nos deixámos intimidar e desfrutámos (e bem) da oportunidade de nadar a meio da noite, na piscina do Naila Bagh Palace (googlem). Mais tarde foi-nos dito que a entrada seria 100 dólares, se não viessemos com a AIESEC. Como disse: estagiário sofre!
Depois de cerca de 2h seguidas dentro de água, secámo-nos como pudemos e rumámos a casa. Mais uma vez tivemos o Shashank, que está praticamente adoptado por nós, a partilhar connosco o quarto (e mais uma vez houve conversa sem fim).
Por hoje ficamo-nos por aqui, pois aqui já é 1h da manhã e começa a tornar-se difícil apanhar um rickshaw para casa.
Prometemos que em breve terão fotografias para ver! Com um pouco de sorte teremos internet instalada em casa.
Beijinhos a todos,
Sara e Bruno