Aqui estamos nós, no comité da AIESEC, com internet!!!
Deixem-me contar-vos as primeiras experiências.
Dia 13JUL (terça-feira):
Aterrámos no aeroporto Indira Gandhi, em Delhi, pelas 7h30 da manhã. À nossa espera tínhamos um prestável senhor com um cartão com os nossos nomes, que nos levaria para o nosso transfer e viagem por Delhi. Chegados ao carro (com ar condicionado), foram-nos dados colares de cravos, como gesto de boas-vindas, duas garrafas de água, duas toalhitas desinfectantes, e dois pares de uma espécie de pantufas para usarmos nos templos em que temos que ir descalços.
Visitámos o Qutub Minar, que é património protegido pela UNESCO. Lá vimos uma torre enorme, que nos foi dito pelo nosso guia (pago à parte) que as pedras na sua construcção não estão unidas por cimento ou por algo parecido, mas antes encontram-se encaixadas como que peças de Lego. Para além desta grande torre, tem alguns túmulos muito simples, uma mesquita em ruinas e um templo hindu junto da mesquita. A construcção mais antiga data de ha 8 mil anos.
A seguir visitámos o museu Mahatma Gandhi. E pensam vocês (como aliás pensava eu antes de lá entrar) que um museu aqui terá alguma informação, mas não será nada do outro mundo. Pois desenganem-se: põe a um canto muitos dos nossos museus. É muito interactivo e avançado. Por exemplo: tinham uma maquete de um vulcão, com vapor a fazer de fumo, onde se podia ler em luzes LED “Be” (=Sê). Se soprassem o vapor, passava a ler-se “True” (=Verdadeiro). E mais outro exemplo: para saberem sobre a vida em prisão de Gandhi, tinham umas barras (como barras de cela de prisão), onde se as tocassem, na parede começava uma vídeo sobre o assunto.
Passado tudo isto, fomos até à estação de comboios, para nos pormos a caminho de Jaipur.
Antes de vos contar a nossa chegada a Jaipur, vou-vos falar um pouco sobre aquilo que vimos realmente: pobreza... e riqueza. Isto é um país de extremos. Ao lado de uma universidade grande com segurança e fortes muros, encontram tendas e barracas improvisadas onde vivem famílias inteiras. E tudo isto na beira da estrada. Ver pessoas a dormir na rua, quase sem roupa, magríssimos, é normal. E apesar de nos chocar e de nos meter pena, é uma realidade para a qual tínhamos sido preparados.
As pessoas aqui são todas muito prestáveis, sempre prontas a ajudar e muito simpáticas. Antes de virmos para aqui, todos aqueles que já cá estiveram nos dizem o mesmo: preparem-se porque eles fazem muitas perguntas, não levem a mal. E é de facto impossível levar a mal, porque lê-se nos olhos deles que não ha maldade nas perguntas, apenas curiosidade e uma sede enorme de saber de onde vimos, quem somos, como é o mundo de onde vimos.
Ora a ida para Jaipur: partímos de Delhi no comboio as 15h30. Todos nos diziam que os comboios na India eram horríveis e seria um choque demasiado grande andar de comboio logo no primeiro dia. Não esquecendo que estávamos na 3ª classe, a verdade é que foi uma viagem muito agradável. Tinha ar condicionado (na classe em que íamos), com camas. Dormimos um pouco, com algum medo de sermos roubados, mas a verdade é que não sentimos que isso fosse um perigo muito grande (descansem que não é por isso que me vou descuidar na prevensão). São tão limpos como um comboio da CP daqueles mais antigos, e a casa de banho a mesma coisa, com a diferença que não é uma sanita, mas um buraco no chão (estilo casa de banho francesa). Atenção: eu cheguei a ter frio no comboio !! (para o que o lenço que a Cris e Ri me deram se revelou muito muito útil – OBRIGADA****).
Chegámos às 20h30 ao Jaipur e tivémos um impassezito. O meu telemóvel recusava-se a fazer chamadas, e o do Bruno ficou sem bateria. Portanto, demos connosco na saída da estação de comboios, rodeados por cerca de 10 indianos condutores de rickshaws (os taxis ca do sitio). Nas palavras do Bruno, sentimo-nos como um pedaço de carne rodeado por coiotes. Mas a verdade é que foram muito simpáticos, e até nos emprestaram um telemóvel para falarmos com o pessoal da AIESEC que nos vinha buscar. Passados uns minutos estávamos a ser recebidos por eles e pela Sofia, uma portuguesa que veio connosco no avião, mas que tinha chegado a Jaipur durante a tarde.
Fomos levados para a casa em que iríamos ficar. Lá chegados, ficámos um pouco decepcionados, pois a casa de banho não tinha chuveiro e tínhamos que pagar para usar a cozinha. Decidimos no dia seguinte procurar uma casa barata que pudessemos alugar com os restantes portugueses. Famintos e cansados, fomos levados até ao McDonalds. Voltámos para casa, prontos para dormir.
Pois... dormir com este calor não é nada fácil. Dormir sabendo que é a nossa primeira noite na India e que há alguma probabilidade de acordarmos com um inquilino (ratazana, barata, algo do género) ainda é pior. Portanto, dormimos os 3 (eu, o Bruno, e a Sofia) na mesma cama, em cima das esteiras que levámos. Adormecemos por volta da meia noite, e as 1h30 acordámos. Voltámos a dormir. Às 4h30 da manhã eu acordei toda a gente com um pesadelo. Ficámos acordados a falar até as 6h30 da manhã. Voltámos a dormir e acordámos as 10h10.
Dia 14JUL (quarta-feira):
Vestimo-nos e fomos ter com o André, um português que estava noutra casa, munidos com uma muda de roupa e toalhas para tomarmos banho lá. Mas não o fizémos. Acabámos por decidir ir para um hotel, onde regateámos para chegar ao preço de 1200 rupias por um quarto com cama de casal e uma cama extra, com ar condicionado, e mais importante: um chuveiro! (1200 rupias são cerca de 24€, o que dá 8€ a cada um). Almoçámos, tomámos banho e dormimos.
É verdade: a mente e o nosso estado psicológio influencia a percepção das coisas. Com banhinho tomado até a mesma rua nos pareceu mais limpa (ok, pronto, menos suja), e durante alguns minutos conseguimos esquecer os cheiros que nos rodeavam. Apanhámos um rickshaw, cujo condutor era muito simpático e um comediante de primeira (Ex:-Usam este dedo? (mostrando o dele)-Sim. – Não usam não! Este é meu!). Negociámos com ele e amanhã talvez iremos passear pela cidade o dia todo, por 200 rupias a dividir pelos 3, que dá 4€, no total). E aqui estamos nós, no comité da AIESEC local, a escrever-vos um e-mail.
O calor ainda é difícil de aguentar, até porque ficamos depressa com a roupa colada ao corpo, e os cheiros são muito intensos (não são necessáriamente sempre maus, são simplesmente intensos). Ainda é dificil encontrar comida, mas cános vamos arrajando (e temos sempre as sopas Knorr...), mas a simpatia e a vontade de ajudar das pessoas compensa tudo.
E sim, já vimos vacas sagradas!!
Quanto à internet, ainda não sabemos se a teremos no trabalho, mas pelo menos temos aqui, por isso de vez em quando cá viremos para vos dar notícias.
Um grande beijo e abraço vindos do Jaipur,
Sara e Bruno
estou muito mais descansada de saber que chegaram bem! já andava a interrogar a ri sobre notícias vossas e a ver se tinham caído aviões com destino à índia. lol... comigo está tudo bem... n querendo imitar o pai do bruno: ESPERO QUE TENHAM TIRADO FOTOS DAS VACAS SAGRADAS E QUE TENHAM FEITO 3 MILHÕES DE CÓPIAS DE SEGURANÇA!!!!! continuem a relatar as vossas aventuras que eu vou passando por cá também... beijinho
ResponderEliminarPS: acho que ouvi o vosso avião passar por cima da residência :D
Cris*
concordo com a cris. ja me perguntava se estavam bem, se nao tinham ficado desalojados ou algo do genero. continua a dizer coisas ta sis?!
ResponderEliminarlove u*
PS: o bruno que tome bem conta de ti! :P
PICS OR IT DIDN'T HAPPEN :P
ResponderEliminarAdorei as descrições. Já risquei Jaipur como um possivel local de estágio xD Quanto ás vacas sagradas, também quero fotos!!!
ResponderEliminarAproveitem para passear, reflectir, divertir e, acima de tudo, saborear cada momento xD
Beijo para a Sara e abraço para o Bruno
André Narciso