quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Mais notícias da Incredible India!

Ora então vamos lá:

Quinta-feira, 5 de Agosto:

Primeiro dia nas escolas !!!! É verdade, lá fomos pela primeira vez dar as apresentações para que tínhamos trabalhado nas últimas semanas. Íamos com algum medo, porque todos nos diziam que os alunos indianos eram muito inteligentes, e que não tinham qualquer problema em nos interromper e dizer "Estás errado. Eu sei mais do que tu!". Mas não, a experiência revelou ser bastante enriquecedora, tanto para os alunos, como para nós.

Eu, Sara, fui para a Saint Xavier School, uma escola católica (mas que eu penso que nem metade dos alunos que lá andam são, de facto, católicos). Claro que à boa maneira indiana, estávamos lá às 9h30 e só começámos a apresentar perto das 11h! Mas então, às 11h, lá entraram na sala cerca de 60 alunos, todos fardados e ordenados, de idades entre os 14 e os 15 anos. Nesse dia demos a mesma apresentação, duas vezes seguidas. Os miúdos mostraram-se muito educados e inteligentes, e acima de tudo, muito participativos. No fim de cada apresentação, vinham ter connosco para pedir os nossos contactos e colocar mais algumas questões sobre o tema que apresentei, Tabaco, Alcool, e Drogas, e também outras perguntas sobre saúde. Senti-me muito bem, e finalmente senti que estava de facto aqui por algum motivo, e que tinha sido para isto que cá vim!

No meu caso, Bruno, fui para uma escola muito perto da Saint Xavier School mas da qual não consegui decorar o nome. Depois de no dia anterior não ter ido a nenhuma escola, por um Professor não atender o telemóvel de manhã, este dia correu muito bem. Chegámos à escola pelo meio dia, e apenas meia hora depois estavam cerca de 80 miúdos fardados a entrar na sala onde apresentámos, com idades entre os 14 e 15 anos: rapazes sentados em 2 colunas de cadeiras e raparigas na restante. Se esquecermos o facto de todos serem extremamente disciplinados não havia uma diferença assim tão grande dos alunos portugueses: tinhamos alunos no fim da sala que claramente não estavam muito interessados, e que faziam algumas piadas em hindi, e na fila da frente haviam alguns rapazes que estavam sempre prontos a responder a tudo o que lhes perguntávamos (alguns ao ponto de dizermos que já não queriamos que fossem eles a responder). No geral foi uma experiência espetacular, principalmente na interacção final, em que os dividimos em grupos para serem eles a arranjar soluções para os problemas ambientais que falámos, tema da nossa apresentação.

De tarde fomos até à estação de comboios, na tentativa (frustrada) de comprar bilhetes para Jodhpur. Como sempre, ir até à Railway Station de Jaipur é uma verdadeira aventura. A qualquer sítio para onde nos dirigíssemos a perguntar onde se compravam os bilhetes, cada pessoa nos dava uma resposta diferente. Quando finalmente descobrimos onde supostamente se compravam os bilhetes, disseram-nos que já não havia bilhetes disponíveis. Assim, lá fomos nós até à estação de autocarros de Jaipur, onde finalmente comprámos os nossos bilhetes.

Voltámos para casa, para nos prepararmos para o dia seguinte de aulas.

Sexta-feira, 6 de Agosto

Isso queríamos nós... ter ido às escolas. Mas não. A meio da noite o Bruno começou a vomitar, e esse episódio repetiu-se mais 6 vezes, chegando mesmo ao ponto de já só vomitar água! Portanto, às 9h da manhã estávamos à porta do Bani Park Hospital.

O médico lá observou o Bruno, e foi-lhe diagnosticada gastroenterite e uma outra infecção. Assim, foi admitido de imediato no hospital, para ficar internado e a levar soro e medicamentos directamente para a corrente sanguínea.

Entretanto, já à tarde, o Bruno recebeu a visita do médico da companhia de seguros, que disse que não era necessário estar internado, e que ele podia ir para casa.

Lá fomos nós até casa no carro (carrão) do médico, onde fomos os dois observados pelo médico, e onde nos foi dada uma lista imensa de medicamentos.

Moral da história: ficámos a ver Jodhpur por um canudo, ou melhor dizendo, pelas fotos da Sofia dois dias depois.

Nessa noite acabámos por ir dormir a casa da Bhavdeep, dado que a Trainee House ia ficar praticamente vazia – tinham ido todos passear – e eu, Sara, não queria estar sozinha caso houvesse alguma emergência com o Bruno.

Sábado, 7 de Agosto

Levantámo-nos relativamente cedo (9h da manhã) e fomos até casa, dado que esperávamos a visita do médico, mas não sabíamos ao certo a que horas essa visita seria. Chegados a casa dormimos mais um pouco (até às 13h), fizémos o almoço, e fomos passear um bocadinho, passeio esse onde se incluia uma visita ao supermercado para reabastecer a casa com comidinha.

De regresso a casa, eu, Sara, aventurei-me a fazer Chapati, um tipo de pão que constitui parte da alimentação básica de qualquer indiano. Não ficou mau de todo, mas não ficou exactamente como eles o fazem. Por isso, o senhor da loja vizinha – ao qual temos comprado leite todas as manhãs – ofereceu-se (ou melhor, ofereceu a mãe dele) para me ensinar a fazer Chapati como deve ser.

Domingo, 8 de Agosto

Por volta das 5h da manhã a Sofia chegou, e ficámos a falar durante cerca de uma hora, felizes e contentes por ela estar em casa sã e salva e com muitas fotos de Jodhpur.

Por volta das 9h, lá fui eu, Sara, ainda meio a dormir, até à guest house vizinha – cujo dono é o mesmo da loja – aprender a fazer Chapati e Paratha (outro tipo de pão indiano, muito semelhante ao Chapati, mas que leva manteiga na massa). Foi muito engraçado aprender a fazer pão na cozinha deles, com uma senhora que nada sabia dizer em inglês. Assim, a minha lição resumiu-se a gestos e acenos de cabeça.

No fim da aula, foram-me oferecidos exemplares do meu trabalho, que foram oferecidos ao Bruno e à Sofia, em jeito de pequeno-almoço na cama!

Levantámo-nos, almoçámos, e esperámos pela visita do médico.

O médico lá apareceu, mas desta vez para me dar mais atenção a mim, Sara, que ao Bruno, dado que andava com uma obstipação de meter medo.

Fomos mais uma vez às compras, uma vez que nos esquecemos de algumas coisas.

Voltámos para casa, fizémos o jantarinho, e fomos dormir.

Segunda-feira, 9 de Agosto

Mais um dia de aulas! Eu, Sara, fui juntamente com o meu grupo até à Tagore Public School, que ficava a cerca de meia hora de distância. Demos uma apresentação para cerca de 350 alunos, de idades entre os 14 e os 15 anos. Podia ter sido bem melhor, até porque os alunos eram um pouco indisciplinados e não muito participativos. Claro que isto era agravado pelo tamanho da sala e o número de alunos, e a má acústica da sala também não ajudava.

Mas tal como da última vez, no fim da apresentação muitos alunos vinham ter connosco no final da apresentação, pelo que concluímos que até estavam interessados, mas que eram envergonhados de mais para participar abertamente à frente de tanta gente.

Eu, Bruno, fui para a mesma escola para a qual a Sara já tinha ido, Saint Xavier School. Ao bom estilo indiano disseram-nos para estar lá às 8h30 da manhã, mas apenas começámos às 11h! Tirando este precalço, a que já nos vamos acostumando, este dia foi muito melhor do que o meu primeiro dia, e até demos 2 apresentações seguidas. Apesar de no ínicio não estarem muito participativos no decorrer das apresentações foram começando a interagir mais. E o melhor foi, sem dúvida, as actividades de grupo. Eu e a Myriam, a nossa amiga Tunisina, ficámos com o grupo que tinha de procurar soluções para os problemas de Desflorestação e Extinção de Animais causadas pelo Homem e foi muito interessante trabalhar com eles! Estavam todos muito empenhados e tinham muito boas ideias. Depois tinham que apresentar as soluções aos outros grupos e o grupo da poluição até fez uma peça de teatro. Por fim tirámos imensas fotografias com eles, e eles estavam super entusiasmados para saberem os nossos contactos e e darem os seus para lhes enviarmos as fotografias! Foi sem dúvida um dos melhores dias.

O resto do dia foi passado por casa sem fazer nada de jeito. Até à noite! Pois é, fomos convidados pelo Ronak (o responsável pelo Project Synergy) para jantarmos na sua casa, cuja ementa foi preparada pelo seu pai (ao invés de pela mãe como pensámos inicialmente). E tivemos direito a tudo o que uma refeição indiana tem, sentados no chão, com muita conversa e brincadeira. Aprendemos que numa mesma casa, viviam em conjunto todos os tios e tias, e primos e primas!

Depois de alguns (muitos) dedos de conversa no terraço da casa do Ronak, regressámos a casa.

Terça-feira, 10 de Agosto

Depois de acordármos cedinho e tomarmos o pequeno-almoço, o Bruno e a Sofia foram trabalhar, e eu, Sara, fiquei em casa, à espera de um telefonema que me indicasse para que escola ir e a que horas. Esperei... e esperei... e esperei mais um pouco. Lá para as 12h recebi o tão esperado telefonema, cujo único intuito era dizer que não havia qualquer escola para o meu grupo ir nesse dia. Assim, continuei a aproveitar a manhã para arrumar o quarto, lavar roupa, e cuidar da Aisha, uma rapariga Tunisina, que estava com febre e diarreia.

Eu, Bruno, mais uma vez fui para a Saint Xavier School as 8h30 da manhã. Sem surpresas, mais uma vez tivémos que esperar até às 11h para iniciar as nossas apresentaçõs. Desta vez apenas fomos os dois portugueses e as duas raparigas Ucranianas, visto que a Hanna foi fazer a sua apresenação cultural do Vietname noutra escola e a Myriam ficou também a cuidar da Aisha. Assim, lá fizémos a nossa apresentação cultural e digo-vos: é super entusiasmante poder dar a conhecer um pouco (muito pouco mesmo, pois o tempo não é muito) daquilo que é o nosso Portugal a estes jovens, depois de estarmos à quase um mês a partilhar aquilo que é o dia-a-dia deles. E aprendemos ainda um pouco sobre a Ucrânia.

Da parte da tarde descansámos um pouco e depois tivemos a breve visita do André, que também andava um pouco adoentado. Assim foi com a Sofia a um médico e nós fomos às compras (farinha para Chapati, vegetais, fruta...), passámos na lavandaria a buscar a roupa que lá tinhamos deixado e a deixar mais algums peças. Voltámos então a casa e entretanto a Sofia e o André também chegaram, pelo que fizemos jantar para os quatro – Chapati com batatas, tomate, e pepinos salteados.

Findo o jantar, regateámos um AutoRickshaw para o André, despedimo-nos dele, e voltámos para dentro de casa.

Quarta-feira, 11 de Agosto

Neste dia eu, Sara, levantei-me bem cedinho, para estar na KGP School pelas 8h. Claro que para não variar um bocadinho, o condutor do AutoRickshaw perdeu-se e deu voltas e voltas, pelo que só chegámos à escola pelas 8h45. A escola ficava nos arredores da cidade, numa zona que era só de escolas e faculdades, e cheia de descampados. Já na escola, bem mais simples que as outras onde tinha estado antes, fomos recebidos calorosamente pelo director, que depois encarregou uma professora de nos levar até à sala onde iríamos apresentar. Nesta sala, com poucas cadeiras, onde os alunos, mais uma vez todos fardados e de idades entre os 14 e os 15 anos, se sentaram no chão, eu e o Ahmed, um rapaz Tunisino, demos a nossa apresentação sobre Tabaco, Alcool e Drogas, e acabámos por responder a muitas outras questões dos alunos.

Terminada a apresentação, pelas 10h, voltámos para casa, felizes por nos ser dado o resto da manhã, que eu aproveitei para arrumar um pouco o quarto, relaxar um bocadinho, passar as fotos para o computador... Até que lá pelas 13h fui trocar de roupa para ir ter com o Bruno, a Sofia, o André, e a Myriam a M.I. Road.

Eu, Bruno, voltei, mais uma vez à Saint Xavier School. De lição aprendida, disseram-nos 8h30 mas apenas fomos às 11h, desta vez com um convidado especial: o André, que nos acompanhou para participar na nossa apresentação cultural deste dia. Nem assim as coisas correram como esperado! Pois, neste dia a escola nem sequer sabia que iamos voltar para fazer apresentações. Assim, começaram a recolher alunos aleatóriamente no corredor e a encaminhá-los para a sala das nossas apresentações, que só começaram depois do meio dia. Já com algum público (forçado) começaram as apresentações culturais. Desta vez começaram com o Vietname, apresentado pela Hanna e a May Anh, seguida da Ucrânia e Portugal. Quase, pois quando começámos a apresentar achámos muito estranho os alunos saberem tanto sobre Portugal. Pois é, metade dos alunos apanhados no corredor já tinham assistido à nossa apresentação no dia anterior, pelo que acabámos por não apresentar nada e abrimos espaço a Maryam e à sua apresentação sobre a Tunísia. O pior disto tudo foi que o André acabou por perder uma manhã para nada! Acabadas as apresentações, e despedidas feitas a saint Xavier School, rumámos para M. I. Road para almoçar.

Já nessa grande Avenida, que é a M.I. Road, almoçámos num restaurante de comida típica do Sul da Índia, para comermos...pizza! Não é que não nos apetecesse uma boa Dosa, mas é que as pizzas eram bem mais baratas! Depois de almoçarmos, fomos a pé até a uma zona que é só joalharias e lojas semelhantes, dado que o André queria comprar as últimas prendas antes de partir para Hyderabad. Aí enchemos bem a vista, mas não esvaziámos os bolsos, porque achámos tudo muito caro. Por isso, decidimos ir até ao já nosso bem conhecido Bapu Bazar, onde o André conseguiu comprar algumas prendas.

Já ao final da tarde, despedimo-nos do André perto da Amber Tower, e voltámos a casa, passando ainda pelo “mercado” próximo de nossa casa para comprarmos frutinha e... gelado da Olá, que aqui é chamada Kwality Wall’s!!

Chegados a casa, nada de gelado para ninguém, dado que eu, Sara, estava com diarreia, e o Bruno e a Sofia quiseram ser solidários com a minha condição.

Quando estávamos já todos descansadínhos e prontos para ir dormir, a Sofia deu pela falta do seu portátil. Entrámos em pânico. Ela tinha levado o computador para a escola, de manhã, e por isso calculámos que tivesse deixado no restaurante ou nalguma loja.

Pedimos logo ao Ronak que a levasse até ao restaurante. Esperámos por notícias, e quando a Sofia chegou, depois de ter ido à loja na qual entretanto se lembrou ter deixado o portátil entre dois bancos, descobrimos que iríamos ter uma longa noite pela frente, uma vez que a loja estava (obviamente) fechada, e teríamos que esperar pela manhã seguinte para saber qual o destino do computador.

Assim, tentámos distrair a Sofia o máximo que conseguímos, e aguardámos pela manhã.

Quinta-feira, 12 de Agosto

Para este dia estava destinado que todos os grupos do nosso projecto fossem para a mesma escola, a manhã inteira, dar todas as apresentações assim de enfiada.

Claro que com o episódio do portátil, em vez de seguirem logo para a escola, o Bruno e a Sofia foram até à loja em busca do portátil perdido.

Entretanto, eu, Sara, fui juntamente com todos os outros estagiários (excepto a Aisha, que ainda se encontrava doente) para a Sanskar Public School.

Quando lá chegámos, fomos convidados a assistir à Morning Assembly, que é o momento do dia em que toda a escola se reúne no pátio para rezarem em conjunto, cantarem o Jana Gana Mana (Hino Nacional), e para serem dados recados. Foi muito cativante, ver todos aqueles alunos juntos, a cantarem e a rezarem em conjunto, imprimindo alma em cada palavra.

Depois da Morning Assembly, esperámos que alguém nos dissesse para onde nos dirigirmos. Passados cerca de 40 minutos, lá nos levaram para a gigantesca sala onde seriam dadas as apresentações.

Depois de tudo preparado, e de todos os alunos, de idades entre os 15 e os 16, estarem confortavelmente sentados no chão, foram-nos dadas as boas vindas por um grupo pequeno de alunas, com um ritual hindu.

De seguida, eu e o Ahmed demos a nossa apresentação, onde fomos surpreendidos pela interacção da parte dos alunos e pelo número de questões que tinham. A seguir apresentou o grupo responsável pela apresentação do HIV. Durante esta apresentação, em que os alunos estavam extremamente barulhentos e desatentos, a Sofia e o Bruno juntaram-se a nós, e trazendo boas notícias: o portátil tinha passado confortavelmente a noite na lojinha, e encontrava-se à espera da sua dona pela manhã! E o mais engraçado é que, quando a Sofia comentou com um senhor indiano que estava muito descansada por saber que o computador não tinha desaparecido, o senhor respondeu muito espantado “Why?! This is India!!”

Após a apresentação sobre HIV, os alunos tiveram um intervalo para almoço, durante o qual fomos levados para a sala de professores, e onde nos foi dado um lanchinho de chamuças, bananas, bolachas de chocolate, e chá com leite.

Mais repostos e descansados, regressámos à sala para prosseguir com as apresentações, desta feita com o grupo da Sofia e do Bruno, com o tema Ambiente.

Quando a apresentação deles terminou, os alunos foram divididos em grupos pela Bhavdeep, e foram encaminhados para os representantes de cada país, para que pudessemos partilhar um pouco da nossa terra-mãe. Foi aqui que fomos surpreendidos pelo número de perguntas sobre o nosso país, e pelo interesse que os alunos demonstravam. Até o Hino nos pediram que cantássemos!

Depois destas mini-apresentações culturais, dançámos todos juntos ao som das músicas cantadas pelos alunos, tirámos muitas fotos e distribuímos os nossos contactos. Despedimo-nos dos alunos, e voltámos a casa para almoçar.

Depois do almoço, eu e o Bruno fomos até ao Bapu Bazar para buscar uma Kurta minha e outra da Sofia, que tinham ficado para arranjar no dia anterior, para depois nos dirigirmos ao coração da Pink City para assistir ao Teej Festival. Nós não sabíamos exactamente onde seria o cortejo, mas bastou-nos seguir a multidão para lá chegarmos. O problema é que quando lá chegámos havia tanta gente que era praticamente impossível ver o que quer que fosse.

Quando estávamos mesmo mesmo prestes a desistir, reparámos que no centro da espécie de praça por onde o cortejo passava estava um grande grupo de turistas, e pensámos que talvez fosse um espaço mesmo exclusivo para estrangeiros. E não é que era mesmo?! Quando demos por nós, estávamos a ser puxados por indianos que nos diziam “Vem, vem! És estrangeiro! Podes ir para ali!” E em menos de nada estávamos entre todos os outros turistas, bem no centro do acontecimento. Aqui foi-nos possível ver tudo bem de perto, incluindo bailarinas indianas, bandas, elefantes, camelos, vacas, cavalos, e tudo!

Foi um festival muito bonito, cheio de cor e de música, e foi ainda mais bonito ver a maneira como eles dançavam cheios de alegria, e como viviam cada momento do cortejo, não se limitando a assistir.

Quando o cortejo terminou, fomos abordados por um jornalista que nos entrevistou para dois canais diferentes de televisão!! E como se isso não bastasse, quando íamos ao encontro da Sofia, apareceu mais um, outra vez para dois canais distintos! Assim, em menos de nada, eu, Sara, tinha sido entrevistada sobre o Teej Festival para quatro canais da televisão indiana.

Quando finalmente alcançámos a Sofia e todos os outros trainees da nossa Trainee House, resgatámo-la, juntamente com a Myriam (que não tinha comido, nem bebido nada o dia todo, devido ao Ramadão) e a Aisha, e fomos até junto do André para todos juntos jantarmos e despedirmo-nos dele, uma vez que este nos ia abandonar para integrar o Comité de Organização da conferência internacional da AIESEC que teria lugar em Hyderabad.

Jantámos bem (e pagámos bem), e ficámos deliciados por podermos comer galinha!

Com a barriguinha bem cheia, despedimo-nos do André e fomos até casa.

Sexta-feira, 13 de Agosto

Desta vez não fomos para nenhuma escola. Fomos antes para uma ONG. Na verdade, fomos conhecer um projecto da Humana, People to People (que também existe em Portugal), que se destinava a dar educação e ocupação de tempos livres a crianças dos bairros desfavorecidos de Jaipur.

Não há muitas palavras que possam descrever com exactidão o que vivemos nessa manhã, mas dizemo-vos que o que mais nos marcou foi como crianças que nada têm, são capazes de dar tanto: sorrisos, alegria, alma.

Dançámos, tirámos fotografias, fomos pentados, rimos e brincámos com elas. E já pelas 15h viémo-nos embora, com o coração pesado por ter que dizer aquelas crianças que nos vinhamos embora.

Daí fomos até à estação de autocarros, para comprarmos os bilhetes para o Udaipur. De seguida fomos a pé até à Trainee House do André, na esperança de nos podermos despedir dele, mas “batemos com o nariz na porta”, porque ele não só não lá estava, como se tinha esquecido do telemóvel lá. Assim sendo, acabámos por comer qualquer coisa por lá, e depois fomos até uma agência de viagem.

Pois é, lá comprámos os nossos voos para Goa. Sim, na semana que nos sobra depois do fim do estágio, espera-nos Goa e Kerala!

Viemos até casa, tomar banho e preparar-nos para a viagem até o Udaipur, e foi aqui que o André veio ao nosso encontro, e também quando nos sentimos como crianças (e como adultos) no Natal. É que ele trazia um enorme saco plástico com massas, temperos, sopas, e muito importante, ATUM, que lhe tinham sobrado!

Despedimo-nos do André, e fomos até à estação de autocarros, para à meia noite, juntamente com a Agga, uma rapariga polaca, viajarmos até o Udaipur.

Sábado, 14 de Agosto

Depois de 9h de viagem e de cruzar conhecimento com as casas de banho de uma qualquer estação de autocarros perdida algures no Rajastão (que acreditem, podiam ser bem piores!), acordámos no Udaipur. Fomos logo até à estação de comboios para comprármos os nossos bilhetes de regresso ao Jaipur, e fomos tomar o pequeno-almoço bem no centro da cidade, com vista para o Jagdish Temple. Deixem que vos diga: mas que grande pequeno-almoço! Incluia torradas com mel, sumo de ananás natural, omolete, e café... tudo por 2€!

Extremamente satisfeitos, fomos até ao templo, onde nos deixámos abismar pelo imenso trabalho esculpido naquelas paredes.

Depois fomos até ao City Palace, fazendo pelo caminho algumas (boas) compras. Quando lá chegámos, fomos surpreendidos por termos direito a um desconto de estudante! Era um desconto de apenas 20 rupias, mas ainda assim, um desconto!

Vimos o Palácio e Museu que lá dentro se podia visita, e ainda passeámos de barco no lago de Udaipur, cujo nome era Pichola Lake, onde tivémos também direito a uma visita a um palácio, que é agora um hotel. Ora durante esta visita ao hotel, enquanto procurava a casa de banho, eu, Sara, fui dar com o jacuzzi, e desejei que não houvesse um indiano por perto durante os 60 minutos seguintes. Mas como havia, limitei-me a voltar à minha busca pela casa de banho, e já fiquei muito feliz por poder usar uma tão limpa. Ah, é de relembrar também que durante este passeio fomos acompanhados por portugueses, que nos fizeram sentir que ainda bem que não somos turistas com a mania que a nossa cultura é muito superior à dos outros.

De regresso a terra firme, fomos almoçar e fazer mais comprinhas, onde se incluem algumas das vossas prendas – pelo que não vamos descrever o que quer que seja.

Já ao entardecer fomos andar de teleférico, e lá em cima limitámo-nos a desfrutar de um fantástico pôr-do-sol reflectido no lago, com vista sobre toda a cidade do Udaipur, e sobre os montes verdejantes que a circundam.

Já todos picados pelos mosquitos que acordaram com o entardecer, regressámos à cidade e fomos até à estação de comboios para voltarmos a casa. Já dentro dela, fomos jantar, e nunca esperámos que fosse possível ficarmos tão felizes com arroz branco, torradas com manteiga, chapati, e batatas fritas.

Entrámos no comboio, e pedimos a todos os santinhos, e deuses hindus, que não houvesse confusões por a partir da meia noite ser o feriado nacional em que se celebra a independência da India. Mas não, a viagem foi muito tranquila, e aproveitámos para dormir.

Domingo, 15 de Agosto

Pelas 6h da manhã chegámos ao Jaipur, e antes de apanhármos um AutoRickshaw para casa, comprámos o jornal, pelas notícias do dia da independência, e também pela página de “classificados” de casamentos que lá se incluia. É que aqui os casamentos ainda são arranjados, e quando o Papá e a Mamã começam a ficar aflitos porque o filho/filha ainda não tem pretendente, colocam um anúncio no jornal à espera que este o esteja a ler (ou pelo menos foi o que nos foi dito...).

Chegados ao Lar Doce Lar, dormimos... e dormimos... e dormimos. E quando acordámos, almoçámos e preparámo-nos para uma tarefa difícil: despedirmo-nos da Hanna e da May Anh, que partiriam nesse dia para Delhi, para viajarem um pouco, e depois para regressarem ao Vietname.

Não foi nada fácil dizer adeus a estas duas raparigas que tão meigas e prestáveis são. E foi também difícil aceitar que este era só o primeiro de muitos adeus, e que ainda por cima não faltava assim tanto para os termos que dizer. E o que mais custa, é sentir que há ainda tanto para ver, e tanto para conhecer, e tanto para saber, e que o tempo está a voar e que não tarda muito deixaremos a Incredible India.

Acabámos por passar o dia em casa, a aproveitar para descansar da viagem e para pôr tudo em ordem.

Segunda-feira, 16 de Agosto

Voltámos, então, às escolas, nesta que será a nossa última semana antes do evento final. Eu, Bruno, fui para a KGP School, uma modesta escola nos arredores de Jaipur à qual a Sara já tinha ido. Chegámos por volta das 11h, desta vez com um elemento a menos uma vez que nos tinhamos despedido da Hanna no dia anterior. Começámos então a nossa apresentação sobre o Ambiente, sendo surpreendidos pelo entusiasmo dos alunos em responder a todas as questões que colocávamos sobre os vários temas. Foi um dia muito interessante pois todos eles eram muito inteligentes e interactivos, o que torna sempre as nossas apresentações muito mais ricas. No final foram trocados contactos e a maioria deles fez questão de nos apertar a mão e despedir-se pessoalmente à medida que iam saindo da sala. Voltámos então a Sureli Haveli, a nossa Guest House.

Já eu, Sara, fui até à MGD Girls School, que fica ao pé do Ajmeri Gate, um dos portões para a Pink City. Como o nome indica, esta escola era apenas de raparigas, e era também muito grande e muito bonita, com jardins interiores e arcadas, que faziam lembrar os claustros dos conventos e mosteiros.

Desta vez a Filipa, a Andrea (República Checa), e a Tina (China) também participaram na nossa apresentação, que revelou ser de interesse para as alunas, que por sua vez nos colocaram questões muito interessantes. Esta turma diferia das outras com que tinhamos estado antes por ser muito mais caladinha e tímida. Ainda assim, foram participativas, e a Directora, que esteve presente durante toda a apresentação, também se podia contar entre as participações.

No fim da apresentação questionámos a Directora sobre o porquê de ser uma escola só para raparigas. Aprendemos com ela que a grande maioria da população indiana não tem acesso à educação, e que para as raparigas é especialmente difícil aceder a ela, até porque tradicionalmente as raparigas na India não vão à escola. Assim, de entre os poucos que estão dispostos a pôr as filhas nas escolas, muitos são os que só realmente o fazem se souberem que a escola não inclui rapazes. Aprendemos também que, legalmente, só é permitido a uma mulher casar a partir dos 18 anos de idade, e que entre a população letrada a idade média com que uma rapariga se casa são os 22 anos, mas que entre a restante população são os 16 – 17 anos, mesmo sendo ilegal.

Despedimo-nos da Directora e agradecemos as explicações e dirigimo-nos até casa.

Almoçámos bem depressa e descansámos um bocadinho, para depois irmos até aos correios, para a Sofia pôr postais no correio. Ora deixem que vos expliquemos como funciona pôr selos numa carta na India. Compram os selos, dirigem-se a um balcãozinho, e colam os selos... mergulhando os dedos em cola e esfregando nos selos!

Antes de voltarmos a apanhar o mesmo AutoRickshaw, sentimo-nos muito tentados por umas bolachinhas que estavam a ser vendidas ali na rua. Ainda com alguem receio de comer o que quer que fosse vendido assim na rua, a tentação acabou por ser mais forte, e lá compramos um saquinho por 10 rupias. Foram das melhores bolachas que comemos desde que pusémos um pé na India!!! E sobrevivemos!

De seguida fomos até M.I. Road, para a Sofia comprar uns óculos de sol para substituir os que ela perdeu, e acabámos por ir até ao Johari Bazaar, que supostamente seria um mercado tradicional de joalharia e texteis. Acabámos por dar connosco a ir a pé até ao Bapu Bazar, onde jantámos e aguardámos por notícias da Myriam, para sabermos se seria nessa noite que iamos ao cinema, ver um filme de Bollywood. Acabámos por não ir.

Terça-feira, 17 de Agosto

Neste dia nenhum de nós foi às escolas. Eu, Bruno, voltei com as duas Ucranianas à sede da Humana, juntamente com 2 Tunisínos e uma rapriga do Quirguistão de outro projecto, para passar a manhã com as crianças. Apesar da má organização, visto que não estavam à nossa espera, correu tudo lindamente. Improvisámos alguns jogos e brincadeiras com as crianças mais novas que, claro, adoraram. Apesar de tudo a lingua foi uma barreira. A verdade é que a maioria daquelas crianças pouco sabe de inglês, e o que sabem é apenas muito básico. Ainda assim o entusiasmo delas por terem pessoas diferentes a brincarem e rirem com elas é suficiente para pôr de lado qualquer dificuldade de comunicação. Tal como na visita anterior, este foi um dia muito intenso, marcado pelo sorriso e entrega destas crianças que pouco têm a nível material mas tanto a todos os outros níveis.

A mim, Sara, por outro lado, foi-me atribuida a tarefa de ir à Rajasthan College of Engineering for Women, juntamente com a Sofia e com a Myriam, para partilharmos a nossa experiência enquanto AIESECers, e enquanto Trainees com as alunas da escola – basicamente, fomos lá para ajudar a AIESEC in Jaipur no seu processo de recrutamento.

Claro que, como já não seria de esperar outra coisa, disseram-nos que alguém iria ter connosco pelas 9h30, e que, portanto, teríamos que estar prontas a essa hora. E nós até estávamos. Mas o AIESECer que vinha ter connosco só chegou perto das 10h30. Enfim, o Indian Style a que já estamos habituados!

A verdade é que nos sentimos que nem VIPs nessa manhã. Primeiro fomos surpreendidas por termos direito a boleia de carro, com ar condicionado e tudo! Depois, chegadas à faculdade, fomos recebidas pela Directora, que incubiu as duas raparigas AIESECers de nos levarem até à nossa salinha privada, fazendo-nos primeiro uma visita guiada pelo campus. Já na salinha, foi-nos dito que podíamos pedir o que quiséssemos para comer e beber, que a faculdade pagava! Eu e a Sofia ponderámos na probabilidade de conseguirem dar-nos um bacalhau com natas, mas ficámo-nos pela ponderação.

Depois fomos levadas para a sala onde o Seminário teria lugar. Assistimos a uns breves videos, e depois partilhámos então a nossa experiência. Foi diferente das apresentações anteriores para alunos de secundário, mas ainda assim, foi muito gratificante poder ajudar um Local Committee no seu recrutamento.

Depois de respondermos a algumas questões das alunas, voltámos para casa, fizémos o almoço, e fomos comprar fruta, vegetais, e mais alguma comidinha.

Estava programado irmos ao cinema nessa tarde, mas nem a Sofia, nem a Myriam se estavam a sentir muito bem, por isso acabámos por ficar por casa. Na volta ainda tivémos mais uma visita do médico, que veio entregar os relatórios e contas.

Acabámos por ficar por casa a cuidar das doentinhas e a descansar. À noite fizemos Chapati com legumes, e terminámos o dia no computador.

Quarta-feira, 18 de Agosto

Folga! Foi-nos dado o dia, pelo que aproveitámos para visitar mais um pouco de Jaipur. Por volta das 11h fomos até ao Amer Fort, que era enorme!! Mais uma vez, pagámos mais do triplo do preço de um bilhete para indianos, mas é mais uma coisa a que já estamos habituados.

Acabámos por almoçar por lá, onde comemos um grande bolo de chocolate com gelado!

Depois do almoço fomos até um armazém onde esperavam pela Sofia uns brincos pelos quais ela se tinha apaixonado quando lá fomos no dia em que visitámos o City Palace. Saímos de lá sem comprar nada, porque chegámos à conclusão que conseguíamos encontrar exactamente as mesmas coisas por menos de metade do preço noutro lado.

Fomos até à M.I. Road, com o intuito de eu, Sara, comprar o saree para a festa dos 50 anos de casados dos meus tios avós. Quando lá chegámos, perto das 17h, começou a chover. Achámos que era mais um daqueles episódios de 15 minutos de chuva para depois parar e estar calor outras vez. Enganámo-nos. Quando julgavamos que já estávamos a cair nalguma rotina, Jaipur voltou-nos a surpreender.

Ali estávamos nós, havia já uma hora, à espera que a chuva parasse, e nada. Acabámos por desistir do saree, e decidimos ir para casa, até porque tínhamos algum receio que o nosso quarto estivesse a meter água, uma vez que é no rés-do-chão. Negociámos um AutoRickshaw, e lá fomos nós.

Pois é, uma hora depois ainda estávamos sentados no AutoRickshaw, no mesmo sítio, na mesma rua. É que o conductor recusava-se a arrancar, porque as ruas estavam transformadas em rios, e ele tinha medo que o motor do seu boguinhas ficasse avariado.

Apesar da chuva ter acalmado bastante, não nos parecia que as ruas deixassem de estar alagadas brevemento, por isso acabámos por nos lançar à aventura, e fomos a pé. Depois de andarmos uns 200 metros com água até quase aos joelhos, a rir que nem perdidos com os indianos que nos acompanhavam, descobrimos que era impossível ir a pé até casa, porque a água inundado completamente a M.I. Road. Mas fomos salvos por um CycleRickshaw, que lá nos levou por entre as águas até casa.

Lá chegados, respirámos fundo por o quarto estar sequinho (apesar de termos uma autêntica piscina no pátio!). Comemos qualquer coisa, e viémos até à sala para deixar a Sofia sossegada no quarto a ter uma entrevista de trabalho por telefone.

Cerca de 40 minutos depois celebrámos todos o novo estágio na TAP da Sofia, fizémos o jantar, e tirámos o resto da noite – já que não podíamos ir a lado nenhum – para acabar de escrever este texto imenso!

E pronto, já está tudo posto em dia, e prometemos que muito em breve terão aqui muitas fotografias para verem!

Beijinhos

Sara e Bruno

2 comentários:

  1. Adorei ler este post!! Tudo dito de forma tao entusiasmante. E saber o impacto que estao a ter de cada vez que vao as escolas. Fantástico :) :)

    E finalmente receber noticias vossas:p lol
    ah e agora claro, as fotos! quero ver tudinhooooo:)

    E espero bem que tenhas uma prendinha para mim :p LOOL

    Muitos beijinhos********
    Geni:)

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  2. poçassss estava dificil de ler este post gigante ...

    ao fim de umas horas de 5feira de madrugada e uns minutos numa segunda feira la consegui ler isto tudo. se bem que ja sabia quase tudo, mas pronto.

    quero fotos oh parva!

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